Inteligência artificial e a questão da representação: uma análise sobre a imagem do cientista no século XXI
DOI:
https://doi.org/10.31417/educitec.v12.2787Palavras-chave:
inteligência artificial, aprendizado de máquina na educação, representação e cultura, estereótipoResumo
Esta pesquisa investiga aspectos da representação e da cultura, tendo como objeto de estudo a ‘imagem do cientista’ e suas relações entre estereótipos, geração de imagens por Inteligência Artificial (IA) e o processo de culturalização. Inicialmente, foi feito um levantamento histórico sobre a representação e a influência na construção cultural, abordando conceitos fundamentais sobre cultura e Estudos Culturais. Em seguida, foi explorado o funcionamento da IA generativa de imagens, destacando como o Aprendizado de Máquina se baseia em produções humanas e, consequentemente, pode reproduzir estereótipos já estabelecidos. Para aprofundar a análise, realizou-se um estudo sobre a percepção humana da figura do cientista, investigando os traços mais comuns associados a essa imagem. Posteriormente, foram geradas imagens por IA e comparadas às percepções levantadas, demonstrando que a IA pode ser capaz de reforçar estereótipos preexistentes, pois seu ‘treinamento’ ocorre com base em dados históricos e culturais previamente constituídos a partir de bases de dados de origem humana. Os resultados indicam que a imagem do cientista, muitas vezes representada de maneira anedótica e distanciada da realidade, como sendo uma pessoa ou ‘gênio altruísta individualista’ ou ‘cientista louco’, pode impactar a aproximação do público com a ciência. Além disso, a IA, ao reproduzir essas representações sem questioná-las, perpetua padrões culturais já enraizados dentro da sociedade. Por fim, a pesquisa sugere a revisão desses estereótipos para tornar a imagem do cientista mais diversa e acessível, promovendo uma aproximação maior entre ciência e sociedade.
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