Inteligências artificiais na educação: uma análise epistemológica das produções acadêmicas
DOI:
https://doi.org/10.31417/educitec.v12.2769Palavras-chave:
educación y tecnologia, IA, racionalidad técnicaResumo
O presente artigo tem como objetivo analisar criticamente as produções acadêmicas da área de Educação sobre as inteligências artificiais (IA), no que se refere às concepções de tecnologia que as fundamentam. Com base no método materialista histórico-dialético, o estudo parte da compreensão de que a técnica e a tecnologia são produtos sociais, historicamente determinados, e, portanto, expressam relações de poder, interesses de classe e disputas ideológicas. Para tanto, foi efetivado um estudo exploratório sobre a temática na plataforma SciELO no mês de maio de 2025. Duas unidades temáticas principais emergiram após a análise dos nove artigos selecionados: a primeira aponta que o uso atual da IA tende a orientar a formação por critérios de desempenho e automação, desconsiderando a complexidade das experiências educativas; a segunda revela que a operação com dados supostamente neutros contribui para a naturalização das desigualdades estruturais no espaço escolar, ocultando suas determinações sociais e históricas. O estudo denuncia a racionalidade técnica que instrumentaliza os processos formativos, substituindo a práxis pedagógica por respostas automatizadas, fragmentadas e orientadas à eficiência. Em contrapartida, defende uma abordagem dialética de tecnologia e suas expressões, como as inteligências artificiais, fundada em valores ético-formativos, na mediação crítica do sistema educacional, professores, estudantes e o mundo histórico, de modo a afirmar a centralidade da educação como práxis humana, política e coletiva.
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