Da competência digital à fluência em IA: referenciais globais, políticas nacionais e desafios da formação docente
DOI:
https://doi.org/10.31417/educitec.v12.2813Palavras-chave:
competências digitais, inteligência artificial, formação de professores, políticas educacionaisResumo
A ascensão da Inteligência Artificial (IA) impõe uma redefinição das competências essenciais na educação, gerando um descompasso entre o avanço tecnológico e a capacidade de resposta das instituições educacionais. Este artigo analisa como os principais referenciais globais e nacionais estruturam as competências digitais e de inteligência artificial (IA) para orientar a formação de educadores e estudantes, buscando responder à questão de como guiar essa formação no Brasil. A presente pesquisa é de natureza qualitativa e exploratório-descritiva, utilizando a análise de conteúdo como arcabouço para investigação. O corpus documental foi selecionado com base em critérios de autoridade e relevância estratégica, cobrindo o panorama global e a recente resposta política nacional. A análise foi guiada por categorias temáticas, como a conceituação de "competência digital" e "fluência em IA", as competências propostas para educadores e estudantes, os fundamentos éticos, as implicações pedagógicas e os desafios de implementação. Os resultados revelam uma evolução do conceito de "competência digital" para "fluência em IA", que vai além do uso de ferramentas, abrangendo a compreensão de seus princípios e implicações éticas. O estudo evidencia uma transição no papel do educador, de "integrador de tecnologias" para "mediador crítico", e destaca a urgência de reformular currículos e modelos de avaliação para focar no processo de construção do conhecimento. Conclui-se que, apesar das diretrizes ambiciosas, existe uma lacuna significativa na formação docente, sendo crucial investir em políticas que preparem os educadores para desenvolver a fluência crítica em IA nos estudantes, a fim de não aprofundar as desigualdades existentes.
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